Mudanças na autoconsciência induzidas por substâncias psicoativas: um estudo experimental com psilocibina.
Sobre o estudo
A autoconsciência, a capacidade de se tornar o objeto da própria consciência, é uma fronteira do conhecimento científico. Ao longo dos séculos, distintas tradições filosóficas e religiosas lidaram com o assunto, mas apenas recentemente a importância da autoconsciência foi estabelecida como um conceito central para a investigação científica, ao qual métodos científicos podem ser aplicados para explorar e caracterizar esse fenômeno. A autoconsciência tem implicações importantes, notadamente do ponto de vista clínico. Os psicodélicos podem afetar o senso de si, com a 'dissolução do ego' sendo uma característica essencial da experiência de substâncias como a psilocibina e a dimetiltriptamina. Evidências recentes indicam que os psicodélicos podem reorganizar a conectividade cerebral, com essas mudanças sendo ligadas a alterações na autoconsciência. No entanto, a extensão em que componentes específicos da autoconsciência são modificados por essas substâncias não foi totalmente explorada. É possível que parte dos benefícios clínicos dos psicodélicos, para condições como depressão, TOC e ansiedade, seja mediada por mudanças na autoconsciência. Dado esse potencial clínico, o presente estudo visa examinar os efeitos da psilocibina em vários componentes da autoconsciência em participantes saudáveis. 100 participantes serão alocados para receber 15mg de psilocibina (n=50) ou um placebo ativo (100mg de niacina; n=50). Os participantes serão avaliados uma semana antes, imediatamente após e uma semana após a administração das substâncias, realizando tarefas e completando questionários que medem a autoconsciência nesses momentos. Os correlatos neurais da autoconsciência, antes e após os efeitos da substância, serão investigados usando espectroscopia de infravermelho próximo. Os participantes alocados ao grupo placebo serão convidados a uma extensão de rótulo aberto com psilocibina assim que a substância estiver disponível. Espera-se que os resultados do estudo elucidem as regiões do cérebro envolvidas na autoconsciência, bem como as alterações induzidas pela psilocibina nesse processo, abrindo a possibilidade de novas intervenções terapêuticas para diferentes grupos clínicos.
